Pope Francis

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Sunday, 7 April 2013

Eu amei e amo o homem Joseph Ratzinger, que a delicadeza da sua alma tornou tão hesitante, reservado, indeciso, mais pronto a ir embora do que a mandar embora!

Jesuíta, biblista, profundo conhecedor de Israel, amigo do cardeal Carlo Maria Martini nos anos de Jerusalém, hoje professor emérito da Gregoriana de Roma: são muitos os motivos que fazem de Francesco Rossi De Gasperis um observador renomado dos assuntos eclesiais. Com o consenso do autor, publicamos esta carta em que ele comenta os dois eventos extraordinários das duas últimas semanas: a renúncia de Bento XVI e a eleição de Francisco, primeiro papa jesuíta da história da Igreja.

A carta foi publicada na revista Popoli, dos jesuítas italianos, 05-04-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Há apenas poucos minutos, o helicóptero do Papa Bento XVI se elevou do Vaticano, justamente aqui perto da nossa casa, direto a Castel Gandolfo.

Eu amei e amo o homem Joseph Ratzinger, que a delicadeza da sua alma tornou tão hesitante, reservado, indeciso, mais pronto a ir embora do que a mandar embora! Ele nutria sentimentos lucidamente claros, como se lê neste seu livro de 1969:
"Da crise de hoje emergirá uma Igreja que terá perdido muito. Tornar-se-á pequena e terá que recomeçar mais ou menos desde o início. Não será mais capaz de habitar nos edifícios que construiu em tempos de prosperidade. Com a diminuição dos seus fiéis, ela também perder[a grande parte dos privilégios sociais. Recomeçará a partir de pequenos grupos, de movimentos e de uma minoria que colocará novamente a Fé no centro da experiência. Será uma Igreja mais espiritual, que não se arrogará um mandato político flertando ora com a Esquerda e ora com a Direita. Será pobre e se tornará a Igreja dos indigentes. Então as pessoas verão aquele pequeno rebanho de fiéis como algo completamente novo: descobri-lo-ão como uma esperança para si mesmos, a resposta que buscaram em segredo" (Joseph Ratzinger, 24 de dezembro de 1969: conclusão do ciclo de lições radiofônicas na Hessian Rundfunk, republicadas no livro Faith and the Future, publicada pela Ignatius Press).
Para um homem que alimenta essa esperança, a vida no Vaticano tinha que ser uma penitência dilacerante. Quer a sua profecia fosse iluminada ou não, ele ofereceu à Igreja uma contribuição decisiva para torná-la universalmente visível e sensível – como o barulho das hélices do seu helicóptero –, apresentando a sua renúncia como bispo de Roma, ou seja, como papa. O seu sucessor parece se mover em sintonia perfeita com a discrição com que utiliza o vocabulário "papal", confiando-se com mais gosto ao neotestamentário "episcopal", de bispo de Roma, ou seja, "bispo da Igreja de Deus peregrina em Roma", como se lê na Primeira Carta de Clemente à Igreja de Deus peregrina em Corinto.

O "papa" não é, de fato, "o chefe supremo de uma Igreja universal", além de ser o bispo da Igreja de Roma, mas a natureza universalmente primazial do ministério petrino deriva-lhe justamente do fato de ele ser o bispo da Igreja em que brilharam as testemunhas do martírio de Pedro e de Paulo, a Igreja "que preside no lugar da região dos romanos, digna de Deus, digna de honra, digna de bem-aventurança, digno de louvor, bem ordenada, casta e que preside na caridade, tendo a lei de Cristo e o nome do Pai ", como diz Inácio de Antioquia.

Essa, segundo Irineu de Lyon, "é a Igreja maior e mais antiga, conhecida por todos e estabelecida em Roma pelos dois gloriosos apóstolos Pedro e Paulo". Portanto, a ela cabe um papel proeminente (uma potentior principalitas), porque nela desde sempre foi conservada a tradição que vem dos Apóstolos.

O "papado", como se fala hoje, é um dado sociológico e cultural, com o qual a Igreja Romana parece sobrecarregada no seu segundo milênio, e especialmente desde 1870, quando, após o Concílio Ecumênico Vaticano I, Pedro apareceu isolado da colegialidade episcopal, como se fosse o pároco de todas as Igrejas da terra, substituto de todos os seus bispos, sacralizado como um monarca absolutamente autorreferencial, como um sultão ou um poderoso imperador, muito distante do Pedro dos Evangelhos e do Novo Testamento, que sempre aparece no meio dos seus irmãos, os Doze e os outros que estão com eles (cf. Lc 24, 33; At 1, 15).

Joseph Ratzinger reconduziu retamente o ministério de Pedro ao seu significado sacramental, de "sinal sensível, destinado a passar e não sacral", do único "Pastor supremo das ovelhas" (Hb 13, 20), o Senhor Jesus Cristo ressuscitado, o Arcipreste (1Pd 5, 4) e o único "Sacerdos magnus" (Hb 4, 14) à frente do comum "sacerdócio real" de todos nós, "nação santa, povo adquirido por Deus, para proclamar as obras maravilhosas daquele que nos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa." (1Pd 2, 5.9; cf. Ap 1, 6; 5, 10; 20,6).

Sem nenhum acordo prévio, mas apenas obedecendo ao Espírito, o Papa Francisco começa a falar com os seus gestos e as suas palavras a língua neotestamentária e plana do "ministério petrino", que tanto intriga os jornalistas e outros nostálgicos de cortes medievais e de senhorios renascentistas.

O Senhor nos dê a graça de retomar sem hesitação o ritmo do Concílio Vaticano II, livres das sutilezas das disputas sobre a continuidade ou a descontinuidade com o único Evangelho de Jesus, interpretado a partir do nobre palácio da Porciúncula do Poverello.

(http://www.ihu.unisinos.br/noticias/519059-o-papa-um-grande-pastor-nao-um-monarca)

Monday, 18 March 2013

Três Papas – Três Graças




Três Papas – Três Graças

            Como compreender o tempo que estamos vivendo e como o Espírito Santo está dirigindo a vida da Igreja fundada na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Tudo tem sido uma surpresa para todos.
            Três grandes papas. Três experiências profundas do Espírito.
            Três dons para a Igreja. Três ensinamentos.
            João Paulo II foi um homem santo pela cruz de sua própria paixão; a enfermidade vivida com amor deu-nos exemplo de perseverança indicando-nos que a “esperança não decepciona” quem crê no Nome de Jesus.
            Bento XVI continua sendo não apenas um homem de fé, mas o homem da fé. Um guerreiro imbatível em favor da Verdade, seu Colaborador fiel. Sua renúncia ressaltou sua fidelidade não aos homens, mas à Cristo e ao seu Espírito para glória do Pai Eterno e seu louvor.
            Francisco que agora governa a Igreja vem pela senda da humildade e da caridade. Um homem simples: abraça, tropeça, erra, levanta, se dobra, ora e pede para orar, silencia, celebra... É um autêntico cristão no século, não obstante tenha pertencido à Ordem Jesuíta. Representa o ser humano do mundo de hoje e apresenta esta humanidade em Eucaristia na Liturgia do Altar e da Vida.
            Será que conseguimos ouvir o que o Espírito Santo está a nos dizer?
            Será que percebemos a grandeza do caminho que o Senhor esta a nos indicar com os pastores da Igreja Universal?
            Penso que continua vívida a máxima que ecoava da vida de João Paulo II: “a fé não está no corpo que se inclina [pela doença, pela renúncia, em prece], mas na alma do que crê!”.
            Quem tiver ouvidos para ouvir, ouça!
            Quem tiver disposição, siga!
            Apenas não fique parado à espera “de outro Evangelho”, pois a fé cristã é “Caminho” e caminhar é preciso. É o movimento de Deus na história. É o movimento da humanidade em direção à terra prometida.
            Vamos juntos.


Padre Rodolfo Gasparini Morbiolo


Friday, 1 March 2013

A santidade não é um luxo

"a santidade não é um luxo, não é um privilégio para poucos, uma meta impossível para um homem normal; na realidade, ela é o destino comum de todos os homens chamados a ser filhos de Deus, a vocação universal de todos os baptizados. A santidade é oferecida a todos; naturalmente, nem todos os santos são iguais: com efeito, como eu disse, constituem o espectro da luz divina. E não necessariamente é um grande santo aquele que possui carismas extraordinários. Efectivamente, existem numerosos deles cujos nomes só são conhecidos por Deus, porque na terra levaram uma existência aparentemente normalíssima. E em geral são queridos por Deus precisamente estes santos "normais". O seu exemplo testemunha que, somente quando estamos em contacto com o Senhor é que nos tornamos repletos da sua paz e da sua alegria, e que somos capazes de difundir por toda a parte a serenidade, a esperança e o optimismo. Considerando precisamente a variedade dos seus carismas, Bernanos, grande escritor francês que se sentiu sempre fascinado pela ideia dos santos cita muitos deles nos seus romances observa que "cada vida de santo é como um novo florescimento de primavera". Que isto aconteça também connosco! Por isso, deixemo-nos atrair pela fascinação sobrenatural da santidade!"

Friday, 15 February 2013

Numa perspectiva não moralista

"Na sociedade contemporânea, parece que a mensagem cristã incide cada vez menos na vida pessoal e comunitária; e isto representa um desafio para todas as Igrejas e Comunidades eclesiais. A unidade é em si mesmo um instrumento privilegiado, como que um pressuposto para anunciar de modo cada vez mais credível a fé a quantos ainda não conhecem o Salvador ou que, embora tenham recebido o anúncio do Evangelho, quase esqueceram este dom inestimável. O escândalo da divisão que impedia a actividade missionária foi o impulso que depois deu início ao movimento ecuménico como hoje o conhecemos. Com efeito, a comunhão plena e visível entre os cristãos deve ser entendida como uma característica fundamental, para um testemunho ainda mais claro. Então, enquanto nos encontramos a caminho da unidade plena, é necessário perseguir uma colaboração concreta entre os discípulos de Cristo em prol da causa da transmissão da fé ao mundo contemporâneo. Hoje há grande necessidade de reconciliação, de diálogo e de compreensão recíproca, numa perspectiva não moralista, mas precisamente em nome da autenticidade cristã, para uma presença mais incisiva na realidade do nosso tempo."